Rivera e Livramento

Acabamos de voltar de um feriadão em Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai. Unimos o agradável ao agradável: levamos as crianças para curtir uma autêntica estância gaúcha que aceita hóspedes – a Fazenda Palomas – e aproveitamos para fazer as irresistíveis comprinhas nos freeshops de Rivera, no lado uruguaio.
Esta é a segunda vez que vamos para a Palomas, e certamente não será a última. O principal atrativo é o casal de proprietários, Atílio e Teresa. Eles são excelentes anfitriões, têm um ótimo papo e fazem questão de manter a rotina autêntica da propriedade. Isso impede que a gente se sinta em um parque de diversões gaudério, como ocorre em alguns hotéis-fazenda em que os peões parecem estar vestindo bombacha pela primeira vez e a carne de ovelha veio congelada do supermercado.
A sede da fazenda tem quatro quartos para receber hóspedes com todo o conforto: ar-condicionado, calefação, chuveiro a gás, camas boas e bastante espaço. Os hóspedes podem simplesmente passar o dia sem fazer nada, tomando chimarrão, batendo papo e comendo (a cozinha é ótima!) ou participando das atividades disponíveis: fazer trilhas, andar a cavalo, pescar, ordenhar, tomar banho no açude ou ajudar no trabalho com os animais, entre outras. É o paraíso do descanso para os adultos e um decreto de liberdade para as crianças, que podem correr soltas em um espaço amplo sem correr riscos.

 

Sede da Palomas, protegida pelo angico centenário

Churrasco típico, preparado por “gaúchos” de verdade

O almoço é saboreado à sombra das árvores
Não faltam espaços para relaxar
Por-do-sol visto da sede

Quarto

A outra vantagem da Palomas é que, quando o gosto pela vida simples e o silêncio fica tão entranhado que a gente começa a ter medo de não conseguir voltar para a cidade, pode-se rodar alguns quilômetros e tomar um choque de consumismo em Rivera. A cidade uruguaia é dividida de Santana do Livramento por uma rua, e agrega um conjunto de free shops com preços que não são nenhuma Miami, mas que assim mesmo ainda são metade dos praticados no Brasil.
Lá, é possível encontrar as mesmas bebidas de qualquer free shop de aeroporto, com o adicional de poder escolher entre uma excelente variedade dos melhores (e piores) vinhos argentinos, uruguaios e chilenos. Fuçamos bastante e, nesse quesito, preferimos a Barão.
Para quem quer comprar de tudo (tênis, bolsas, perfumes, maquiagem, óculos de sol, tacos de golfe, raquetes de tênis, eletrônicos, carrinho de bebê, brinquedos, ar-condicionado split, roupas Adidas, Nike, Tommy Hilfiger, Abercrombie & Fitch, etc) de uma só tacada, a maior loja é a América. Mas também há a Neutral, a Zebra e a Siñeriz, todas grandes e famosas. Além disso, há uma infinidade de outras num raio de 4 quadras que se pode vencer facilmente em uma tarde. A regra, em qualquer caso, segue sendo pesquisar antes e comprar depois.
Deixe os itens de alimentação, no entanto, para o fim. Tanto os produtos uruguaios (doce de leite, queijos, etc) quanto os importados são mais baratos na rua Agraciada (paralela à Sarandi).
Veja as indicações no Google Maps.
Mais informações sobre todos os free shops no site da Associação de Comércios de Free Shop de Rivera.

Voltando para a fazenda, que fica depois da Receita Federal (guarde as notas e lembre-se de que a cota é de US$ 300 por pessoa), recomendo uma visita à vinícola-boutique Cordilheira de Santana, que oferece uma excelente degustação. Além disso, a vista do local é lindíssima. Gostamos especialmente do Tannat 2004.

Se, depois disso, a sobriedade e a Lei Seca permitirem, dirija até o alto do Cerro Palomas, um platô que é o símbolo de Santana do Livramento e que permite ter uma visão panorâmica da campanha gaúcha. Hora de respirar fundo e, com o porta-malas cheio de símbolos da civilização, jantar na quietude da casa da Teresa e do Atílio.

Blogueira espanhola

O blog de CarmeLa – na verdade, está mais para fotolog – mostra fotos muito legais de Barcelona e de várias cidades do interior da Catalunha. Vale a pena conferir:
http://paraviajeros.blogspot.com/

Natal e Reveillón – As tradições catalãs


Saiba mais, dia a dia, sobre a tradição catalã das festas de fim de ano:

Até o dia 23 de dezembro:
Feiras de Natal, presépios e o caganer

Não perca as feiras de Natal, onde são vendidas principalmente figuras de presépio e o famoso caganer, que é uma lembrança pitoresca, barata e leve para levar para os amigos no Brasil. O caganer é, literalmente, uma figura que está fazendo cocô. Remanescente de uma tradição que remonta ao século XVIII, ele representa a fertilização do solo e é colocado em um canto do presépio. O caganer original veste a roupa pastoril catalã: camisa branca, colete, calças pretas (arriadas) e a barretina (gorro vermelho). Hoje, no entanto, são vendidos caganers caracterizados como personalidades famosas, como o papa, o rei da Espanha e até Ronaldinho Gaúcho.

As principais feiras de Natal ficam em frente à Catedral, na Ciutat Vella, e em frente à Sagrada Família. Na da Catedral é possível ver, nas tardes de sábado e manhãs de domingo, o passeio da Carassa de Barcelona, que é um boneco gigante que lança balas e doces pela boca.
As Carassas antigamente eram adornos de órgãos nas igrejas, e tinham o mesmo aspecto do boneco mostrado hoje: uma cabeça de árabe com turbante e barba comprida que cuspia doces por meio de um mecanismo acionado pelo organista.
Os bonecos gigantes (gegants) fazem parte da tradição catalã, e estão presentes em todas as festas populares.

Dia 22
Sorteio da loteria de Natal, chamada popularmente de El Gordo, realizado desde 1812. O ritual é pitoresco: o sorteio é mostrado ao vivo na televisão, e os números são literalmente “cantados” por estudantes do colégio San Ildelfonso, de Madri, que fazem isso há dois séculos.
O prêmio principal em 2006 será de 3 milhões de euros, e serão distribuídos no total mais de 2 bilhões de euros (70% da arrecadação total é dada em prêmios). Mas, ao contrário do que ocorre no Brasil, esse montante nunca é recebido por uma só pessoa. Cada número é dividido em dez décimos, e geralmente são vendidas participações nessa aposta (um décimo custa 20 euros). Um exemplo: um dono de bar ou padaria compra um décimo diretamente da lotérica e vende no seu estabelecimento dezenas de participações naquele número. Os compradores, por sua vez, compram participações nos décimos de várias procedências (dos amigos do escritório, da escola dos filhos, do jornaleiro, etc.), multiplicando as suas chances de ganhar.
Se você acredita na sorte, portanto, e vir na vitrine de alguma loja um anúncio oferecendo números de “El Gordo” ou de “El Niño” (a loteria de Ano Novo, que funciona da mesma forma mas que não tem a mesma popularidade), compre um.
O dia 22 de dezembro também marca o começo das férias escolares, que só terminarão depois do Dia de Reis.

Noite do dia 24
Em catalão, é chamada de Nit de Nadal. Em castelhano, de Nochebuena. Na Catalunya, ao contrário do resto da Espanha, não é nem de longe o momento mais importante dos feriados. A família vai à missa do Galo e, na volta para casa, coloca o Menino Jesus no presépio e janta. A tradição mais deliciosa dessa noite é fer cagar el tió (literalmente, “fazer o tió cagar”).
O tió é um resquício da sociedade pastoril catalã, quando, nos dias que precediam o Natal, era costume colocar na cozinha um tronco robusto que seria queimado no fogo e que traria àquela casa luz e calor. Com a evolução da tradição, o tió passou a ser uma criatura fantástica cuidada e alimentada pelas crianças da casa, que “vive” na cozinha e que, na noite de Natal, traz doces e presentes para os pequenos.
A coisa acontece assim: as crianças se juntam em torno do tió e cantam uma música (cuja letra geralmente o ameaça com uma boa surra se ele não “cagar” doces). Depois, aplicam-lhe uma sova com paus e vão para os seus quartos. Os pais levantam a manta que cobre o tió e colocam ali doces e presentes menos importantes do que os que serão recebidos no Dia de Reis. Os pequenos voltam e recebem os presentes “expelidos” pelo tió.

Dia 25 – Nadal
É o dia do almoço em família. Alguns pais dão presentes do Papai Noel aos filhos, mas isso é raro. Uma considerável parte dos moradores da cidade viaja nesse dia, com a volta programada para o Dia de Reis.
À mesa, estão presentes o peru, o brou (caldo) e os torrones. As árvores de Natal não são obrigatórias.
Um fato curioso é que em janeiro são reservados espaços nas ruas e em todos os parques e praças para que os barceloneses depositem as suas árvores naturais para reciclagem e compostagem.

Dia 31
A tradição do reveillón em Barcelona – como na maioria das cidades européias – não é muito forte. Não há festas multitudinárias na rua e os fogos são tímidos. As famílias jantam e brindam em casa, e os mais jovens saem para comemorar com os amigos em discotecas.
Os turistas costumam passar a meia-noite na Plaza Catalunya e depois vagar pelas Ramblas. O veredito dos brasileiros de que tudo é meio chocho é quase unânime.
O que não pode faltar em nenhum dos casos são 12 uvas para comer acompanhando as 12 badaladas da meia-noite e uma (ou várias) garrafas de cava. Saúde!

Dia 5 de janeiro
Não perca a Cavalcata de Reis, que é a chegada dos Reis Magos à cidade e o desfile pelas principais ruas, com distribuição de doces para os pequenos. Nessa noite, as crianças colocam nas janelas e sacadas guloseimas para “Suas Majestades” e água para os seus camelos, ao lado de um par de sapatos para receber os presentes.

Dia 6 de janeiro – Dia de Reis
É a data mais importante das festas de final de ano, quando toda a família se reúne e as crianças recebem seus presentes. Um dos pratos que não pode faltar na mesa é o pão em formato de rosca, adornado com frutas secas (lembrando as pedras preciosas dos mantos dos Reis Magos) e no qual é introduzido um pequeno presente. Quem receber o pedaço com o presente é coroado rei ou rainha da casa.

Glossário de fim de ano catalão:
Caganer – Figura tradicional dos presépios, que é representada fazendo cocô. Simboliza a fertilidade do solo.
Cap d’Any – Noite do dia 31 de dezembro
Nadal – Natal
Pessebre – Presépio
Tió – Tronco que é surrado pelas crianças até que saiam os doces escondidos nele. Isso é chamado de “Fer cagar el tió”. Literalmente, significa “fazer o tió cagar”.

Barcelona no Natal e Reveillón


Eu gosto muito de passar as festas de final de ano fora de casa. É um belo momento para ver a cultura alheia em plena ação.
Levo essas oportunidades tão a sério que, no tempo em que moramos em Barcelona, nunca passei um Natal ou Ano-Novo na cidade. Como Barcelona era, naquele momento, a minha casa, e “as casas dos outros” (ou seja, outros países) estavam ali, tão à mão, como que se oferecendo para que eu as visitasse, viajei pro “exterior” em todos os anos.
O mais especial deles foi o que passamos em Portugal. Desfrutamos em Santarém, terra de Pedro Álvares Cabral, de um memorável almoço de Natal com a família da minha querida amiga Maria João. Comemos e bebemos como príncipes, e até hoje não sei se fomos tão bem tratados porque éramos amigos ou se aquela é mesmo a tradição da família. Suspeito que ambas as coisas.

Embora eu não tenha, portanto, passado um Natal em Barcelona, vivi bastante o clima de fim de ano na cidade. Chegamos à Catalunya às vésperas do Dia de Reis (6 de janeiro), que é na verdade a data mais importante dos feriados de final de ano. É nesse dia – e não no Natal – que as famílias trocam presentes e fazem os seus almoços festivos. E são os Reis Magos que trazem os brinquedos, e não o Papai Noel (é para eles, portanto, que os pequenos escrevem as suas cartinhas). Por isso, a criançada não perde no dia 5 a tradicional Cavalgada de Reis, quando Belchior, Baltazar e Gaspar desfilam pelas ruas em carros alegóricos distribuindo doces.
O evento dura toda a tarde, e os detalhes são riquíssimos: procedentes do Oriente, “Suas Majestades” chegam de barco, descem no porto, são recepcionados pelo prefeito e recebem a chave que abre todas as portas da cidade, o que permitirá que eles possam entrar em todas as casas e entregar os presentes das crianças.
Se você estiver em Barcelona (ou em qualquer outra cidade espanhola) nesse dia, e especialmente se você estiver com crianças, informe-se sobre o horário da “Cavalcata de Reis” (há várias, em muitos bairros, mas a principal é na Ciutat Vella) e não perca essa autêntica festa popular. Aqui, aliás, vale uma observação: não fique com medo do evento por ele ser gratuito e multitudinário. Os espanhóis estão acostumadíssimos a festas populares: todo mundo se comporta e se respeita.

O mesmo já não se pode afirmar com tanta segurança, infelizmente, sobre a festa de rua de Reveillón, que na região central da cidade se tornou uma comemoração de turistas. Como as famílias viajam nessa época do ano, voltando somente no final do feriado para o Dia de Reis, o que se vê nas zonas turísticas é o mal-falado botellón, ou seja, jovens bebendo sem controle, quebrando garrafas e fazendo arruaça. Isso não é regra, é claro, mas, em alguns locais como a Plaça Catalunya, é preciso ter cuidado com as garrafas sendo quebradas à meia-noite.
Esse é um problema que não atinge só Barcelona: está presente em boa parte da Europa. Nós, por exemplo, tomamos um belo susto no Champs Elysées, em Paris, em 1997. As garrafas de champanhe voavam sobre as nossas cabeças, todo mundo estava assustadoramente bêbado e os batedores de carteira estavam totalmente à vontade. Pra completar, o último trem do metrô, que era à 0h30min, não saiu porque ficou superlotado, não havia táxis e nós começamos 1998 caminhando uns cinco quilômetros até o hotel. Dando uma de Polyana, até que não deve ter sido mau presságio, porque caminhar em Paris sempre é uma bênção, e, como já fazia alguns anos que ninguém passava a mão na minha bunda, a minha auto-estima tomou uma volumosa injeção de ânimo.

Restaurantes – os que eu recomendo


A lista dos meus recomendados não é, nem de longe, completa como a dos bons guias. Eu, infelizmente, não estive (ainda, espero) em todos os melhores restaurantes. Mas tenho um rol de achados que eu costumo colocar no bolso de quem está embarcando pra Barcelona. Lá vai:

Para desfrutar de um autêntico ambiente catalão:
Agut
Fica no coração da Ciutat Vella, numa ruelinha estreita e meio difícil de encontrar (ao pedir informações, cuidado para não ir parar no Agut d’Avignon, que fica ali perto, também tem boa fama, mas não é o mesmo restaurante). O Agut administrado há quase um século pela mesma família, e é um local onde você dificilmente vai encontrar turistas e onde, definitivamente, não vai conseguir comer filé com fritas.
O cardápio é genuinamente catalão, e a oportunidade é perfeita para provar algumas das maravilhas que a cozinha local pode oferecer: butifarras (lingüiças dos mais diferentes formatos e preparações), cogumelos (no outono), calçots (tenras cebolas do inverno, servidas normalmente assadas), fideuá (a paella catalã, feita com macarrão cabelinho-de-anjo no lugar do arroz), frutos do mar em geral, peixes (especialmente rape, bacalhau fresco e merluza) e, para finalizar, uma boa crema catalana.
O salão, austero e autêntico, faz pensar, entre uma garfada e outra, como eram os fregueses que freqüentavam aquelas mesas há três gerações, quando o restaurante foi inaugurado.
Agut
Gignàs, 16
Ciutat Vella
93 3151709
Veja aqui como chegar lá

Para comer paella, fideuá e arroz negre:
Cal Pintxo
Fica no edifício Can Costa, de frente para a praia da Barceloneta, e tem uma filial na praia de Sitges. Não confunda com o Can Costa, que fica ali perto e não é tão bom.´
Tem o melhor arroz negre (paella feita só com caldo de peixe, anéis de lula, arroz e tinta de lula) que eu já comi. E, como quando eu gosto de alguma coisa em um lugar não mudo porque fico com medo de gostar menos e de ter perdido a preciosa oportunidade de comer algo que eu adoro, nunca pedi nada diferente por lá. Mas os amigos que foram comigo garantem que a paella e a fideuá também são ótimas.
O ambiente é meio esquisito: um pouco brega, um pouco restaurante para grupos. Mas a vista da praia e a vista do prato compensam.
O preço é muito justo para frutos do mar. Ou seja: não é barato, mas dá pra pagar.
Aliás: cuidado ao pedir dicas a taxistas e assemelhados sobre onde comer frutos do mar. Você vai acabar num restaurante caríssimo e de qualidade questionável. Vai pagar preço de Set Portes (o melhor restaurante do gênero na cidade) e comer camarão a la McDonald’s.
Tem menu infantil, com opções como espaguete com molho vermelho e peito de frango.
Cal Pinxo
Baluard 124
93 2215080
www.pinxoplatja.com
Veja aqui como chegar lá

Para namorar com classe:

Tragaluz
De decoração e cozinha de vanguarda, é a escolha ideal para um jantar especial. O nome, em espanhol, quer dizer clarabóia, em referência ao teto móvel de vidro que domina o salão principal. A transparência fascina quem vai para o almoço (por causa do azul impressionante do céu de Barcelona) e também quem aprecia as estrelas durante o jantar.
A cozinha é mediterrânea, com produtos frescos de temporada, mas com os toques de modernidade que já são inevitáveis nos restaurantes badalados da Espanha.
É um restaurante de fácil acesso, localizado no Eixample, numa pequena travessa entre o Passeig de Gràcia e a Rambla Catalunya.
No térreo, há o Tragarràpid, uma versão “rápida” do restaurante onde se pode comer durante boa parte do dia.

Tragaluz
Passatge de la Concepció, 5
Eixample
93 4870196
www.grupotragaluz.com/tragaluz/
Veja aqui como chegar lá

Para tomar vinho e comer jamón:
El Celler de Sants
Celler, em catalão, quer dizer o mesmo que bodega em castelhano. O Celler de Sants é um misto de loja de vinhos com local para degustá-los. No andar térreo, pode-se comprar vinhos e cavas. No subsolo, num ambiente típico de adega, pode-se tomá-los acompanhados de uma série de pratos catalães, mas os meus preferidos são os embotidos espanhóis e catalães acompanhados de pá amb tomaquet (pão caseiro torrado em que se esfrega alho, uma metade de tomate, azeite e sal).
É um local onde um turista jamais vai encontrar outro turista. O celler é freqüentado por gente do bairro, e fica escondidinho em uma pracinha. Alguns dos clientes inclusive sustentam uma cooperativa de compra de vinho, um sistema bastante comum na Catalunya: você se associa, paga uma anuidade e pode comprar produtos com desconto.
Vá à noite, com o endereço do hotel bem guardado dentro do bolso, porque você vai beber muito…
El Celler de Sants
Premia 13-15
93 4317789
Veja aqui como chegar lá

Restaurantes – os estrelados

Comecemos a lista pelos estrelados do Guia Michelin, a publicação sobre o tema mais famosa (e polêmica) da Europa.
Na cidade de Barcelona há 11 restaurantes com uma estrela Michelin (e nenhum com duas ou três, a cotação máxima). A poucos quilômetros de viagem, no entanto, é possível visitar três detentores de três estrelas (o famosíssimo El Bulli, do revolucionário chef Ferran Adrià, na cidade costeira de Roses, o Racó de Can Fabes, de Santi Santamaria, em Sant Celoni, e o Sant Pau, de Carme Ruscalleda, em Sant Pol de Mar) e um duas estrelas (o Celler de Can Roca, em Girona).
Em Barcelona, oito dos restaurantes com uma estrela estão localizados em áreas centrais.

Nos arredores do Passeig de Gràcia estão:

Caelis – Restaurante do Hotel Palace, localizado na Gran Via. Cozinha contemporânea.

Drolma – Restaurante do Hotel Majestic, no Passeig de Gràcia. Inaugurado em 1999, é comandado pelo chef Fermín Puig. Cozinha de temporada.

Gaig – Restaurante do hotel-butique-modernésimo Cram, no Eixample, na esquina da Aragó com Aribau. Carles Gaig, o chef, é a quarta geração da família no comando da casa, fundada em 1869, e achou na juventude que não tinha jeito para a coisa. Chegou a ser mecânico de automóveis antes de assumir o negócio familiar, que ficava no bairro Horta. Cozinha clássica e moderna, com destaque para os produtos de temporada.

Moo – Restaurante vanguardista do hotel cinco estrelas Omm, a cargo dos irmãos Roca (do estrelado e já citado Celler de Can Roca, em Girona).

Jean-Luc Figueras – Este na verdade fica no bairro de Gràcia, mas bem perto do Eixample e do Passeig de Gràcia. É, como o Gaig, ao mesmo tempo tradicional e moderno, combinando os melhores ingredientes frescos da autêntica cozinha mediterrânea catalã com os excelentes ventos da nova cozinha espanhola.

Perto da Sagrada Família:
Alkimia – É o frisson entre os novos restaurantes. Na esteira de Ferran Adrià, o chef Jordi Vilà reinterpreta de maneira minimalista os pratos tradicionais da cozinha catalã.

Na região do Born ficam:
Àbac – Restaurante com carta moderna e, como define o Guia Michelin, “inventiva”. Em frente à Estação Francia.

Hofmann – Situado junto a uma escola de hotelaria, em um prédio restaurado. Cozinha também “inventiva”.

Um pouco mais longe das regiões mais turísticas estão outros três com uma estrela:

El Racó d’en Freixa – Localizada na região norte, a casa do chef Ramón Freixa é uma das mais tradicionais da cidade.

Via Veneto – Na área residencial norte, tem fama de servir excelentes cogumelos, que são um dos ingredientes mais apreciados na Catalunya. Cozinha internacional.

Neichel – Na região residencial de Pedralbes, a mais chique e discreta da cidade. O chef, Jean Louis Neichel, é francês. Cozinha francesa (como não poderia deixar de ser).

Não deixe de conferir no site dos guias Frommer´s a lista de restaurantes recomendados. Eu poucas vezes me decepcionei ao confiar nas observações deles sobre comida nas minhas viagens:
http://wiley.frommers.com/destinations/barcelona/45_inddin.html

Vale a pena também dar uma olhada nas dicas Frommer’s sobre onde é melhor comer em vários casos e situações (frutos do mar, comida vegetariana, tapas, com crianças, no domingo ao maio-dia, etc.):
http://wiley.frommers.com/destinations/barcelona/0045020003.html

Compras em Buenos Aires

Bem, mesmo quem não gosta de comprar volta com várias sacolas de Buenos Aires. Lá há consumo para todos os gostos e bolsos.
Não vou comentar os pontos manjados como as Galerías Pacífico, porque esses endereços estão em todos os guias. Vou é dar dicas muito específicas de locais que me causaram interesse por um ou outro motivo. Não espere, portanto, um guia completo de Buenos Aires para maníacos consumistas, mas uma listinha modesta e pra lá de inusitada:

- Roupas para grávidas
Eu estava com quase cinco meses quando aportei por lá, e não tinha achado nada em Porto Alegre que não parecesse capinha de botijão de gás. Entrei numa filial da Axis na Recoleta e saí de lá com um lote de sacolas. Comprei blusas e quatro calças que me serviram até o fim da gravidez (e que guardei para a seguinte). Todas charmosas e com bom corte. Até agora, não achei nada parecido por aqui.
Leia aqui uma reportagem da Página 12 sobre a Axis.

Axis
Córdoba 4386
www.axismaternity.com.ar